ECOPISTA VALENÇA - MONÇÃO
2010-06-19
Referências da antiga linha:06-08-1882 - Chegada do comboio a Valença
25-03-1886 - Primeira ligação ferroviária á Galiza
02-05-1915 - Chegada do comboio a Monção
05-06-1977 - Inauguração do Museu Ferroviário de Valença, na antiga cocheira de locomotivas
01-01-1990 - Encerramento do ramal de Monção
14-11-2004 - Extinta linha Valença – Monção, torna-se a primeira Ecopista do país
Pois é, mais uma época chega ao fim. Com o aproximar da época de férias, e com a tendência para a beira mar, precavendo problemas com os fogos tão característicos desta época do ano, há que parar por algum tempo e rumar assim para outras paragens, aproveitando as desejadas e merecidas férias.
O Percurso:A Ecopista do Rio Minho entre Valença e Monção, uma via verde colada ao rio, faz o aproveitamento da antiga linha de caminho de ferro entre estas duas vilas do Alto-Minho um traçado de aproximadamente 17 km.
Foi este o percurso escolhido para fecho de época do grupo VianaTrilhos.
Com concentração em Valença cerca das 09H00, houve primeiro que deixar as pessoas em Valença no inicio do percurso, os condutores foram a Monção deixar os carros e regressaram em táxis.
Eram 10H07quando demos inicio ao percurso, que teve a participação de 33 caminheiros.
Como nota, registe-se a sempre alegre presença dos companheiros Teresa e F. Vilaça que apesar de nunca terem estado ausentes, marcaram novamente a sua presença alegre e bem disposta.
Também a acompanhar-nos pela primeira vez, a companhia simpática de um novo companheiro mais três companheiras oriundos de terras Limianas.
Logo no inicio lamento para o facto da antiga “Casa de Vigia da linha”, na Ponte Seca, agora transformada em Centro de Interpretação da Ecopista, local onde se deveriam obter todas as informações através da exposição aí existente, se encontrar fechada, o que nada abona a mesma, negando uma melhor informação do espaço a percorrer.
Iniciadas as primeiras passadas, talvez devido á ligeira brisa da manhã e ao bom piso do traçado, o ritmo foi um pouco acelerado, parecendo crer que seria rápida a ligação a Monção. Ganfei foi a primeira freguesia a percorrer, com os seus campos de vinhedos bem tratados, abrangendo toda a área entre a ecopista e o rio Minho. Mais acima e para o lado do monte avistava-se o antigo mosteiro beneditino e a igreja românica de três naves que remonta ao séc. VII. Em Ganfei nasceu o primeiro Santo português (S. Teotónio). Passamos junto ao antigo apeadeiro, imagem secular das antigas estações da Linha do Minho.
Verdoejo veio a seguir, e foi local para breve descanso. Conforme se ia caminhando, também as conversas se iam realizando, ajudando a percorrer a distância.
Ao longo do percurso notava-se já a presença das bicicletas,que por nós iam passando com grupos de pais e filhos.
Ao passar sobre o rio Manco, já próximo de Friestas a indicação do Trilho interpretativo do Rio Manco, foi pretexto para abandonarmos a Ecopista e o realizar, o que nos levou até á sua foz no rio Minho, ou “Pai Minho”, como gentilmente os galegos o tratam, perpetuado nas histórias tempestuosas de dois povos que a politica dividiu e a amizade uniu.Subindo um pouco o rio Manco, cruzamos uma pequena ponte de madeira, e acompanhamos um pequeno troço de braço de rio (zona lagunar) onde se faz sentir a vida numa zona mais propicia a espécies da avifauna. Continuando voltamos novamente á ecopista, precisamente num local em que podemos ver o “Portal dos Crastos” (Friestas), imponente, em estilo barroco, com influências do barroco da América Latina. Este portão tem uma curiosa lenda.
Continuamos e passamos junto da Ínsua do Crasto, língua de terra com muitas histórias para contar sobre o contrabando no rio Minho, e logo depois já em Lapela (concelho de Monção) o parque de Merendas, que foi aproveitado para breve repouso, e para estender o olhar sobre a panorâmica do rio Minho e a margem galega.
Em lapela abandonamos a Ecopista e passamos pelo pequeno núcleo desta freguesia para visitarmos a sua “Torre de Menagem”, monumento nacional também conhecida como “Torre de Belém do Minho”. É um símbolo do passado glorioso, pois pertenceu a um castelo medieval que o Rei D. João V, no inicio do século XVIII, mandou destruir para aproveitamento da sua cantaria na construção das muralhas defensivas de Monção. Podemos ver ainda o seu cruzeiro, e a antiga estação, cuja inauguração foi em 1913 dois anos antes da chegada do comboio, agora aproveitada para actividades culturais da freguesia. Junto da estação, á sombra de pequenas árvores, sentados na relva, fez-se o reabastecimento com os “farnéis” que transportávamos nas mochilas, e reteperaram-se as energias.Cerca das 14H00 empreendemos novamente o percurso, aproveitando todas as sombras para nos protegermos do calor. Caminhavamos agora bem junto do rio Minho com vista para as suas “perqueiras”, passando pela ponte metálica sobre a foz do rio Gadanha (já em Troporiz) que logo abaixo despeja as suas àguas no Minho, criando nesta zona uma apelativa praia fluvial. A ecopista segue logo encaixada entre duas encostas, onde predomina bastante humidade dando origem a tufos de fetos. Mais á frente chegamos ao antigo “apeadeiro” de Nossa Senhora da Cabeça na freguesia de Cortes, agora remodelado e onde se encontra um Centro de interpretação da ecopista.
Bem perto fica o santuário de N. S. da Cabeça, local onde outrora chegavam de comboio, carregando os seus farnéis, banhos de gente para participar na grande romaria de fé cristã. Após breve visita ao local, continuamos e cerca das 15H00 chegamos a Monção, ao local da antiga estação, e logo depois ao centro da Vila, onde foi a todos informado o local do almoço. O resto do tempo foi aproveitado para visitar a “Casa do Curro”, local em que se encontra instalado o Posto de Turismo e o “Paço do Alvarinho”. Aqui durante a visita, fomos oferecida uma prova do delicioso néctar, gentilmente oferecido pela casa.
“Monção é terra do “Alvarinho”, que ganhou fama desde o séc.XVI, altura em que os Ingleses, pelo porto de Viana, importavam vinho de Monção, a que chamavam “Eager Wine”, juntamente com panos de linho, mel, cera e cordagens.
No centro cívico de Monção realce para a Praça Deu-la-Deu Martins, com o brasão de armas da Vila, que perpectua esta figura portuguesa do tempo das guerras de D. Fernando, Rei de Portugal, com D. Henrique de Castela no longínquo séc.XIV: em campo branco uma torre, no alto da qual emerge um vulto de mulher, em meio corpo, segurando um pão em cada uma das mãos; em volta a legenda, “Deus a deu – Deus o há dado”.É também nesta Praça que o povo de Monção realiza no feriado de Corpo de Deus, a sua maior festa (Coca), a vitória de S. Jorge e o triunfo do bem sobre a Coca ( o Dragão simbolizando o mal).
À hora combinada (15H30) todos nos dirigimos para o Restaurante Central, onde foi servido o repasto que constou de “Arroz de feijão c/bacalhau frito”, deliciosamente confecionado, acompanhado de um verde branco da região.
O convívio decorreu de forma salutar num ambiente agradável, devidamente aproveitado por todos, e onde reinou a boa disposição. Surpreendido ficou o companheiro Pimenta quando viu que a data do seu aniversário não tinha passado despercebida, tendo aproveitando todo o grupo para lhe cantar os parabéns, e apagadas as velas do bolo de aniversário.
No final ainda houve tempo para um pequeno passeio através das muralhas com vista para Espanha onde ainda se houvem os comboios. Um pequeno monumento sobre um miradouro para o rio Minho ilustra o poeta regionalista José Rodrigues do Vale cujo pseudónimo é “João Verde”,e inscrito um seu verso:
Vendo-os assim tão pertinho
A Galiza, mais o Minho,
São como dois namorados
Que o rio traz separados
Quasi desde o nascimento
Deixai-os, pois namorar,
Já que os pais para casar
Lhes não dão consentimento.João Verde, Ares da Raya
Daqui fomos até ao Centro Termal e parque na beira-rio, e regressamos ao local em que se encontravam as viaturas. Fizeram-se as ultimas conversas e as despedidas, e cerca das 19H00 regressamos todos a casa.Deu-se assim por concluída mais uma época, em que alguns percalços derivados das condições do tempo não permitiram que tudo se tivesse desenvolvido normalmente.
A todos em nome de VIANATRILHOS, boas férias e até Setembro.
Viana 26 de Jubnho de 2010
Miguel Moreira
Vianatrilhos