Caminhada pelos Moinhos de Trás-da-Costa

15 de Julho de 2000.  Um grupo de caminheiros parte da Sociedade de Carreço, pelas 8h30, em direcção à "Quinta da Boa Viagem passando pelo Campo da Cal, Ponte de S. Paio, Cova Ladrão, Eira de S. João e Casa do Panza.  Chegados à Casa de Turismo Rural, subimos para o Poço Negro e aqui houve uma paragem demorada para alguns tomarem banho e houve outra, mais acima, para reabastecimento alimentar.  Neste curto trajecto deu para ver a beleza natural, apesar de agreste, de uma ribeira que parece perdida no tempo, com os seus penhascos e cascatas a demonstrarem um ambiente impoluto.

Só por este troço do percurso valeu a pena! Até ao Lajão, pontão de cimento, ali ao lado da casa abandonada do guarda florestal (que pena!) passamos pelos quatro moinhos de Trás-da-Costa, acantonados em território de Areosa, mas pertencentes, como pertencem, a proprietários de Carreço.  Muitos mais havia, mas estes são os últimos, a montante, o da Bouça, da Chão, do Meio e do Cabeceiro,

Nestes moinhos era moído o milho e o centeio, utilizado em parceria pelas casas de lavoura de Carreço.  A farinha, ora ia para os animais, ora para fazer pão ,(boroa) ou para fazer o "sanico", pão de centeio (mistura).

Na travessia ao longo da ribeira houve que esgalhar ramos, desviar troncos queimados e saltar de margem para margem, à procura do melhor trilho.

Com o sol a pino, atingimos o Calvo, em direcção ao Alto de Mior (sítio da Bandeira) e daqui, após paragem técnica, descemos o caminho da Costa, pela mina da Joaninha, onde se bebeu água fresca sem pagar, e pela Lage Negra, até à Mogada.

As sardinhas na brasa já esperavam por nós, eram mais das 14 horas, quando chegámos à Sociedade.

A caminheira Rosa, como sempre, junto ao Pote bem funcional, lá estava com todo o aparato pantagruélico, à nossa espera: boas saladas, boroa cortada aos pedaços, arroz no panelão e, lá dentro, o caldo verde a temperar!  Sem ela e outras caminheiras, como a Manuela, a Lurdes e a Ana, noutras ocasiões, os Amigos da Chão ficariam "a seco".

Como as promessas são para cumprir, estava escrito que o Simões tinha de receber o prato da Expedição a Grândola mandado fazer para assinalar o evento.  Com pompa e circunstância, junto ao pote e perto do assador, foi-lhe entregue pelo Ramos Pereira.  Antes do caldo verde, porém, foram distribuídos diplomas às caminheiras sobreditas.  Não sei o passou depois, mas o percurso que parecia fácil, dado o calor, tornou-se custoso para alguns, todavia, ganhou-se uma rota digna de catálogo.

 

IN "A AURORA DO LIMA" 19/09/2000

LUÍS GONÇALVES