Ao encontro das raizes do Rio Âncora
1999-12-18
MOINHOS DE ÁGUA
O QUE SÃO:
Os moinhos, como outros tipos de engenhos, são o resultado de todo um processo histórico longo em que a utilização desta energia alternativa (a energia hidráulica) permitiu e identificou a arte do desbravar da natureza.
O rio e a terra tornaram-se o cenário complementar deste "povo em movimento" com uma realidade dinâmica evolutIva; nessa evolução as mudanças foram lentas e profundas criando raizes culturais demasiado vincadas e difíceis de se deixar "colonizar" com os novas formos de estar "aparentemente" mais prometedoras de felicidade.
É assim que os moinhos são a herança cultural dos nossos antepassados que além da sua riqueza etnográfica, nos dão a identidade de um povo que devido ao seu isolamento conseguiu a sua auto-suficiência. Utilizando a energia hidráulica para ultrapassar certas dificuldades que tinham de ser vencidas. É esta identidade cultural bastante profunda, que deve ser mantida, a fim de se tornarem peças de um ecomuseu Municipal.
CARACTERÍSTICAS - ORIGENS
Foram um factor de desenvolvimento destas freguesias Os moinhos ainda hoje em laboração quase industrial, são documentos vivos e dão a imagem de um passado recente em que o rio, a terra e o homem eram imagens deste Vale.
Os da bacia superior (zona montanhosa) eram pequenas casinhas com paredes de xisto e ou granito e beirado em
lajeado e cujo sistema motor era uma roda motriz de madeira (rodízio fixo à pela) - (Moinhos de Montanha).
A maioria dos moinhos existentes no margem do rio Âncora são pequenos ou mesmo minúsculas instalações de exploração familiar, mais vulgarmente, de consertes, com uma só moenda, não dispondo de moleiro qualificado. de construção extremamente rústica, tem normalmente um só postigo além da porta de entrada de dimensões reduzidas que não ultrapassa 1,70 m de pé direito e não possuem quaisquer divisórias, nunca servindo de habitação (moinhos de montanha).
OS ULTIMOS RESISTENTES.
Moeram cereais de gerações sem fim. São um importante legado das gerações passadas. Os antigos moinhos de água representam a perfeita simbiose do homem com a natureza. A bacia hidrográfica do rio Âncora está repleta destas marcas de um tempo em que o desenvolvimento das populações se fazia sem a destruição do ecossistema. Talvez seja por isso que têm os dias contados.
Remontam ao Paleolítico, nas culturas pré-agricolas, a descoberta da possibilidade de esmagamento entre duas pedras de certos frutos e cereais. Por volta do ano10.000 A.C., a trituração passou a ser feita com o recurso do almofariz e ao pilão de pedra. O moinho manual só apareceria em finais do Il milénio A.C..
Em Portugal, foi na orla litoral do Minho que estes engenhos tiveram maior difusão. O cultivo intensivo de milho, centeio e trigo foi em grande parte responsável por este fenómeno.
PONTE DE TOURIM AMONDESem dúvida que as pontes são os principais vestígios materiais das antigas vias romanas e medievais. Pelo território do concelho de Viana do Castelo passavam importantes vias romanas, como é o caso da célebre Per loca marítima referenciada no itinerário de AntonIno.
Esta via, saindo de Bracara Augusta (Braga) passava o Cavado e depois o Lima, sulcando todo o Concelho Vianense até ao Âncora, que era atravessado pela ponte de TourIm. Esta ponte, que possuí ainda parte das suas fundações romanas, foi reconstruida na época medieval, tendo feito parte integrante de um dos mais Importantes Caminhos de Santiago, trilhado por milhares de peregrinos e fundamental para o desenvolvimento económico desta região.
A ponte actual, embora mantenha a sua traça medieval, nomeadamente o perfil em cavalete, corresponde já a uma reconstrução da Idade Moderna, possivelmente entre os Secs. XVII e XVIII.
Os textos apresentados foram recolhidos em obras diversas