Na rota da Serra de Santa Luzia 

1999-11-20

 

 CITÂNIA DE SANTA LUZIA

A Citânia de Santa Luzia, conhecida localmente por "Cidade Velha", é um dos castros mais conhecidos do Norte de Portugal e sem dúvida um dos mais importantes para o estudo da proto-história e romanização no Alto Minho. A sua localização estratégica, permitia-lhe não só dominar vastas áreas da veiga litoral e ribeirinha, como também e muito especialmente, controlar o movimento de entradas e saídas na foz do rio Lima, que na época romana seria navegável em grande parte do seu curso.

0 povoado apresenta características muito próprias, principalmente ao nível das estruturas arquitectónicas, sendo famoso o aparelho poligonal, (trabalho de rara beleza e perfeição), em que foram construidas algumas das suas casas, que apresentam tinia planta circular com um vestíbulo ou átrio, que em alguns casos albergam fomos de cozer pão, semelhantes aos existentes na vizinha Galiza. concretamente no Castro de Santa Tecia.

0 espólio conhecido parece indicar que embora o local fosse já habitado desde os inícios da Idade do Ferro, o grande desenvolvimento do povoado se deve ter dado rios primórdios da romanização da região, tendo mantido uma ocupação pelo menos até ao Séc. V, como o comprova o aparecimento de um pequeno tesouro monetário com peças cuja datação varia entre 330 e 408 d.c.

 

 S. MAMEDE

S. Mamede tem, para os vianenses, um sentido emblemático de antigualha: lugarejo remoto no espaço, aparece consagrado como remoto no tempo. Será? No seu tecido dominam hoje, ao lado de campos fósseis, ruínas de casas e de muros, embora a capela actual seja apenas de 1671. Mas, ao longe, num local remoto, abandonado, há uma velha capela arruinada.

Ora as Inquirições de 12581 mencionam uma "eclesia de Santo Fiiz" que em 1321 parece ter já desaparecido e que podia ter-se situado aqui". Tratar-se-ia duma aldeia abandonada para ser retomada mais tarde? 0 certo é que só uma exploração arqueológica poderá fornecer uma data para a capela abandonada, e os restos visíveis mais antigos não vão além do século XVI, embora apareçam outros elementos de antiguidade certa mas discutível. A capela abandonada evidencia ter tido duas fases de construção. Por tudo isto, a aldeia abandonada, aí chamada de "aldeia velha", se reveste de particular interesse.

Foi precisamente aí que se desenrolaram as operações em duas frentes: a "casa do padre" e a capela abandonada, pois só para intervir nelas foi dada autorização dos proprietários. A chamada "casa do padre" afirma-se como uma habitação rural relativamente recente, onde se fez uma "arqueologia etnográfica" que eliminou agentes deletérios como as heras que cobriam as paredes e pós à vista petróglifos com sinais apotropaicos e um fundo de espigueiro de verga (canastro).

A exploração da capela pouco pós a descoberto, além dum fragmento de mó que deve ter feito parte do aparelho, porquanto todas as peças de cantaria, à parte um fuste de coluna de alpendre e uma aduela dum arco devem ter sido roubadas.

Como se evidencia da planta topográfica, a capela assenta numa elevação que parece artificial e estava cercada dum pequeno adro parcialmente destruído. Como pode ter sido centro dum eremitério, no seu adro e nela terá de ser feita uma sondagem que ajude a defini-Ia antes que possa ser objecto de degradação ou mesmo depredação maior. A dita "casa do padre" merece respeito e atenção das autoridades, mas não me parece justifique a continuação duma exploração arqueológica.

Os textos apresentados foram recolhidos em obras diversas