Percurso Mistério à Serra d'Arga

1999-06-19

 

ARGA - Serra da província do Minho a pouca distância do rio Lima, que separa os concelhos de Viana do Castelo, Ponte do Lima e Paredes de Coura. No geral é de constituição granítica; o xisto, porém, forma alguns dos contrafortes orientais. Dos seus contrafortes, pelo Sul, nascente e poente, sobressai vivamente a lomba maior, com mais de 600 metros de altitude. No alto de serra, que pode escalar-se tanto pela portela do Cavalinho, a Oriente, como pelo povo do Cerquido (para quem parta do Sul e Oriente), desdobram-se três vastas chãs a de S. João, a de Cezeda, a Grande ou da Bica. Desta amplíssima agra (da qual procederá o nome da serra, corrompido na prosódia) desfruta-se magnífico panorama.

Pululavam outrora os lobos na Arga; das frequentes monteadas perdura memória na freguesia de S. Lourenço da Montaria. A arborização é minguada; porém, nos lugares povoados encontram-se carvalheiras, sobreiros, pinheiros e azinheiros.

Não falhou aqui a população pré-histórica, do qual subsistem algumas lendas. Estas e vários achados moveram D. Rodrigo de Moura Teles, arcebispo de Braga (1704-28), a mandar efectuar pesquisas locais, que foram baldadas. Um dos contrafortes, o mais próximo do rio Lima, tem o nome de Castelo da Formiga; nele alguns vestígios restam de fortificação castrense.

No sentido oposto, em atalaia, fronteiro ao mar, ergue-se outro. O monte do Facho, do qual uma encosta se chama Ladeiro, por efeito das ladainhas cantadas aí pela irmandade dos clamores.

De entre as lendas poéticas da serra cabe distinguir a de Santo Aginha. Vida de salteador e ladrão passava nela um homem desconhecido. Certo monge do Mosteiro Máximo conseguiu convertê-lo, depois de aquele pretender mata-lo. Como penitência impôs-lhe o encargo de socorrer os viandantes nas dificuldades da travessia da serra. Ferventemente o cumpria. Um lavrador, ignorando tal conversão e temendo a sua maldade, à sachola o matou, num dia em que ele o ajudava a endireitar um carro de mato, e numa brecha escondeu o cadáver. Tempos depois acharam-no incorrupto. Como caso de milagre se julgou o acontecimento e logo correu a voz de santo santo asinha (asinha=depressa), por tão breve passar de ladrão a santo. Asinha transformou-se depois em Oginha. Sobre o seu túmulo foi construída uma capela votiva. Há todavia, quem atribua esse nome à corrupção de Santa Eugénia, orago da igreja duma velha freguesia. A dita lenda fomentou a expressão popular: Quem no vê, parece um santóginha (sujeito pacato, humilde, embora patife).

Onde hoje fica a popular capelinha chamada de S. João de Arga houve o chamado Mosteiro Máximo de beneditinos o qual no séc. XVI, já despovoado, passou a abadia secular e se converteu em reitoria no padroado dos marqueses de Vila Real. As notícias deste convento são muito vagas, nebulosas. A tradição põe no séc. VII a sua fundação. Na chá dum dos montes xistosos, entre o dorso da Arga e o castelo da Formiga, subsiste a capela de Santa Justa, à qual, em 19 de Julho, concorre muito povo em romaria, inclusive da Galiza. Como advogada da esterilidade feminina, oferecem-lhe principalmente frangos e frangas brancos.

Os romanos parece que chamavam a esta serra Monte Medulio, e segundo alguns autores, aqui se levantava a cidade de Benis.

Os textos apresentados foram recolhidos em obras diversas

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